Como a escassez de água no México pode impactar a cerveja no mundo

A crise de escassez de água vivida pelo México pode ter um impacto na cerveja mundial

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O uso acelerado de recursos ambientais é um desafio para todos os países, especialmente recursos limitados, com é o caso da água doce, que é essencial para a vida. Nesse ano de 2022, atingimos o número de 8 bilhões de habitantes no planeta Terra, o que significa que mais pessoas precisarão de água para sobreviver.

Além do uso para saciar a sede, os recursos hídricos são demandados em uma escala significativa por muitos segmentos da indústria, sendo o setor cervejeiro um deles. Em sua produção, a cerveja utiliza bem mais água do que somente o líquido que vai dentro das latas ou garrafas.

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Segundo dados do Banco Mundial, o México é o país que mais exporta cerveja no mundo. Em 2021, as cervejarias mexicanas exportaram mais de US$ 5 bi (cinco bilhões de dólares) em vendas de cerveja. Os Estados Unidos foram o principal destino delas.

Entretanto, toda essa produção pode estar ameaçada. A seca desse ano no norte do México foi a maior das últimas décadas. Estima-se que 8 dos 32 estados mexicanos sofreram com seca de moderada a extrema.

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Nos estados do norte do país estão instaladas grandes fábricas, como da Cerveceria Modelo (Grupo Modelo) que produz a cerveja Corona, que é distribuída pelo grupo belgo-brasileiro AB InBev (dono da Ambev). É lá que também está a Cerveceria Cuauhtémoc-Moctezuma (FEMSA), uma subsidiária da holandesa Heineken.

Por isso, a disputa pela água, que também é necessária para abastecer as cidades presentes nessa região, pode obrigar a uma realocação dessas cervejarias para o sul do país.

Escassez de água pode levar as fábricas para o sul do país

Pelo menos é isso o que defende o presidente do país, Andrés Manuel López Obrador. Em agosto desse ano, ele anunciou planos visando a redução da produção de cerveja no norte do país.

“Isso não significa dizer que ‘já não vamos produzir cerveja’. Quer dizer que ‘não haverá produção de cerveja no norte’”, ponderou em uma entrevista coletiva habitual.

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Lópes Obrador também criticou o modelo de negócio das cervejarias, em especial o uso dos aquíferos da nação para produzir cervejas que são destinadas a outros países. Um ponto destacado por especialistas é que boa parte das indústrias possuem poços próprios, que foram concediso pelas próprias autoridades.

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Estima-se que sejam necessários cerca de dois litros e meio de água para se produzir um litro de cerveja no México. As cervejarias adquirem do governo federal os direitos necessários para terem acesso à água. Esses acordos podem se estender por décadas.

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Diante do problema da escassez de água desse ano, algumas marcas decidiram agir, direcionando uma parte dos seus recursos para a população mexicana. A Heineken concordou em transferir, temporariamente, 600 mil metros cúbicos de água, além de entregar um dos seus poços de alta profundidade, com capacidade de 3,1 milhões de metros cúbicos de água por ano.

A escassez de água traz incertezas para o futuro

Crédito: Canva Pro

Por enquanto, o México ainda permanece na posição de maior exportador mundial de cerveja, ficando à frente de grandes países produtores como Bélgica, Alemanha e Holanda. Contudo, se não forem encontradas soluções rápidas para o problema da escassez de água no país, seu futuro parece incerto.

Assim, caso os ciclos de secas fiquem mais constantes e a escassez da água forçar as cervejarias a reconstruírem inteiramente suas plantas fabris em novas áreas no sul do país, os números de exportação devem reduzir consideravelmente.

Isso pode levar a um efeito dominó em todo o mundo, que busca cada vez mais por marcas de cervejas populares, que são dependentes dos volumes de produção cervejeira mexicana.

Imagem da capa: Redcharlie/Unsplash

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